Alimentação pós-parto : Fundamental para o bebê e para a mamãe

Tudo muda com o nascimento de um filho. Independente que ser o primeiro, segundo, terceiro, quarto (e ai por diante para as mais corajosas).  É muito comum as mamães me relatarem que a alimentação pós-parto e retorno para casa acontece “quando dá”. E isso é super compreensível, porque a atenção está voltada para o novo serzinho amado que chegou em casa.

A avaliação visa garantir uma saúde plena para mamãe e também o bebê

Porém, uma alimentação adequada nesse período garante muito benefícios, inclusive para a saúde do seu filho. Vamos saber por quê?

Durante a gestação o corpo da mulher já vai se preparando para a amamentação, mas após o parto, as mudanças hormonais  e de requerimento de energia e minerais, se potencializa para esse processo. Além disso, temos que levar em consideração a recuperação materna, pois nesse período ocorre à perda de líquidos (sangue), a função intestinal fica debilitada e ainda temos o processo de cicatrização (maior demanda caso o parto seja cesárea).  Junta tudo isso com uma pitada de preocupação de que o bebê vai ter muitas cólicas, e está pronta a fórmula de que não posso comer nada.

A alimentação pós-parto deverá conter uma variedade grande de alimentos para que eles possam ofertar uma variedade de nutrientes, e sim, eles são extremamente necessários nesse momento. Primeiro ponto que devemos analisar é qual o estado nutricional da mamãe no pós-parto e essa avaliação contempla a antropometria (peso, altura, ganho de peso na gestação), parâmetros bioquímicos (exames de sangue, urina e fezes) e exames clínicos (sintomas e funcionamento do intestino).

A partir da avaliação do estado nutricional a alimentação entra para garantir o processo de recuperação e de amamentação, visando manter a saúde da mulher e do bebê. Os nutrientes que a mamãe consome, bem como suas reservas energéticas é que vão garantir um leite cheio de nutrientes para seu filho.

Nesse caso, o corpo dá preferência para oferecer no leite materno o que a filha precisa, tirando do corpo da mãe. Ou seja, caso a mamãe não consuma algum nutriente, primeiramente o seu corpo será afetado para garantir as quantidades no leite materno. Que tal garantir uma alimentação bacana para que isso não ocorra?

A alimentação pós-parto é fundamental para garantir a saúde da mamãe e do bebê

Para tanto, é importante olharmos para a hidratação. O consumo de água é essencial para repormos os líquidos que são eliminados no puerpério, e também indispensáveis para a amamentação. Não é a toa que as mamães sentem muita sede quando amamentam. O consumo de água também facilita o funcionamento do intestino.

As necessidades energéticas estão aumentadas para as mamães que amamentam. Essas necessidades devem ser bem distribuídas entre os macro nutrientes (nutrientes que nos fornecem energia), onde ocorre um aumento no consumo de carboidratos e proteínas, que são utilizados para produção do leite materno.

As gorduras também devem estar presentes no pós-parto, especialmente o ômega 3 (já bem recomendado durante a gestação), porque a única fonte que a criança irá ter desse nutriente é através de uma fonte exógena (ou seja, vinda da alimentação), e a concentração dos níveis desse nutriente variam no leite materno conforme o consumo da mãe. Caso a mamãe não amamente, as quantidades de todos os nutrientes são calculadas conforme sua necessidade.

Fontes de carboidrato são os cereais como aveia, trigo, centeio, quinoa, milho e amaranto. Os tubérculos como aipim, batata, batata doce, inhame, cará e as massas como macarrão, nhoque. Todos os alimentos que são feitos a base desses alimentos são fontes de carboidratos. A dica é darmos preferência para aqueles que não passaram por nenhum processo de industrialização (tubérculos) e os integrais.

Já as proteínas você encontra nas carnes (vermelha, aves, peixes, ovos, porco), nas leguminosas como feijão, lentilha, ervilha, grão de bico, quinoa (sim, elá está lá em carboidrato, mas tem uma boa quantidade de proteína vegetal também), e leite e derivados.

As gorduras são encontradas em vários alimentos, e os mais indicados são as oleaginosas (linhaça, chia, castanhas, amendoim, amêndoa, avelãs), azeite de oliva, óleo de girassol e óleo de coco.

O cálcio e a vitamina D são dois nutrientes que devem ser observados no período pós-parto. O cálcio é necessário para o crescimento e desenvolvimento de ossos e dentes, e a vitamina D auxilia nesse processo. Alguns estudos têm demonstrado que filhos de mamães com depressão tem insuficiência de Vitamina D. Os alimentos fonte de cálcio e vitamina D são os leites e derivados, mas também encontramos em alimentos de origem vegetal como os vegetais verdes escuros e as oleaginosas.

A quantidade de vitamina A e ácido fólico no leite materno também estão relacionados com o consumo alimentar da mamãe. A vitamina A está presente em alimentos de cor laranja como cenoura, mamão, caqui, abóbora, pimentão amarelo. E as fontes de ácido fólico são lentilha, feijão, espinafre, fígado, carne vermelha e quiabo.

E as cólicas no bebê?

Outro ponto que deixa dúvidas nas mamães é sobre os alimentos que causam cólicas nos bebês. Até o terceiro mês o intestino da criança não está totalmente formado e as cólicas são mais recorrentes. Nesse caso entra a individualidade. Nem sempre o feijão, brócolis, a batata irão causar cólicas nas criança, e vale a tentativa. Caso observado a frequência de cólica com algum alimento, esse poderá ser retirado nesses primeiros meses.

Ufa! Você deve estar pensando: Quanta coisa preciso me preocupar além de amamentar, cuidar do meu filho, receber visita, arrumar a casa…..

Calma, você não precisa se preocupar com tudo isso. Vou te dar algumas dicas para manter uma alimentação boa no pós-parto. Além disso, a consulta com um profissional nutricionista poderá auxiliar para a alimentação não ser mais uma preocupação, mas sim trazer todos os benefícios esperados.

Dicas

  • Dica 1 – Peça ajuda.
  • Dica 2 – Peça ajuda.
  • Dica 3 – Peça ajuda.

Sim, você não precisa fazer tudo sozinha. Nesse momento você precisa de apoio e informações relevantes. Então, marido, mãe, sogra, amiga, vizinha podem te ajudar e muito na organização da casa e também da alimentação. Você precisa dar atenção ao seu filho, e precisa receber atenção e cuidado de profissionais com informações relevantes.

Para dúvidas com relação a sua recuperação, o seu obstetra. Para dúvidas com relação a saúde do seu filho, o pediatra. Para dúvidas quanto a alimentação, a nutricionista. Para dúvidas sobre aleitamento materno, a consulta de amamentação. Para amor e carinho, sua família. Essa rede irá fazer toda diferença.

E agora, vamos a dicas de alimentação pós-parto:

alimentação pós-parto

  • Procure uma alimentação variada. Sim, o corpo precisa de muitos nutrientes e nós só conseguimos isso se comermos diferentes tipos de alimentos.
  • Não se esqueça das frutas. Elas podem ser aquele lanchinho entre as principais refeições.
  • Inclua saladas no almoço e jantar. Quanto mais variado melhor, mas caso um dia ou outro escape (porque acontece), tente ter pelo menos 1 opção.
  • Deixe sempre uma garrafa de água por perto e lembre-se ela não é objeto de decoração 😉
  • Tenham em casa aqueles alimentos que você deve dar preferência. Faça uma lista de compras e peça a alguém para providenciar.
  • Deixe preparado um pote com uma mistura de oleaginosas (castanhas, amendoim, nozes) e caso queira pode acrescentar damasco ou uva passas. O ideal é não ficarmos muito tempo sem comer, e esse lanchinho é prático. Mas, não se esqueça das frutas frescas também.
  • Tome muita água. Muita, mesmo!

Nutricionista para mamães e bebês
Amante de uma boa viagem, daquelas que quando tiver filho, já vai fazer o passaporte dele.