Manobra de Kristeller não tem aval do Ministério da Saúde

Talvez se você pensar, vai lembrar de uma enfermeira em cima da sua barriga, por algum motivo que você não tenha entendido e reconhecido como sendo algo padrão da entidade em que você ganhou seu filho. Bom, infelizmente, você foi vítima de uma das formas de violência obstétrica conhecida como manobra de Kristeller.

O que é a Manobra de Kristeller?

manobra de kristeller

A Manobra de Kristeller é utilizada independente do tipo de parto, seja normal ou cesariana.  Sua técnica é aplicada na segunda fase do trabalho de parto, considerado como fase de expulsão. Normalmente é realizado por algum médico ou enfermeiro que utilizam suas mãos, braços e até mesmo joelhos para ajudar no nascimento.

Basicamente, consiste na aplicação de força, durante as contrações, na parte superior do útero em direção ao canal de parto, cujo o intuito é apenas diminuir o tempo do trabalho de parto.

Consequências da Manobra de Kristellerbebê recém nascido no colo da mãe

A Manobra de Kristeller oferece tanto riscos para a mãe quanto para o bebê. Por isso o Ministério da Saúde está descontinuando a prática dessa técnica e quem aplicá-la pode sofrer consequências judiciais caso seja aberto um processo contra a pessoa que praticou e/ou entidade.

As 10 principais consequências da Manobra de Kristeller são:

  • Lacerações desnecessárias do períneo;
  • Interferências nas contrações uterinas;
  • Hemorragias;
  • Rutptura uterina
  • Possíveis complicações com o ombro do bebê como: fratura de clavícula, trauma encefálico, descolamento do músculo esternocleidomastoideo;
  • Paralisia de Erb – lesão nos nervos do plexo braquial, que controlam os movimentos de ombros, braços e mãos;
  • Fratura de costelas;
  • Hematomas
  • Aumento da pessão intracranial, cefalohematoma, hemorragias intracraniais.

Eu sofri violência obstétrica como a Manobra de Kristeller

O meus dois partos foram em ambientes públicos de saúde, em duas cidades diferentes. Os dois partos encheram meu coração de alegria e em ambos os partos sofri violência obstétrica, por falta de conhecimento.

Tudo o que eu queria e desejava era um parto sem intervenção médica, o mais natural possível, sem soro com ocitocina, sem anestesias e sem episiotomias. Essas as minhas únicas exigências e as outras intervenções médicas eu me importava muito, até me deparar com outras.

No primeiro parto não queriam deixar eu tomar água e a médica falou que se ela estourasse a bolsa o parto iria acelerar e a dor acabar mais rápido – sem antes oferecer um banho quente, que também acelera.

No segundo parto normal, a enfermeira estava pendurada na minha barriga e eu senti aquele incômodo e perguntei porque ela estava fazendo isso e ela disse que era para ajudar o bebê a nascer.

Não quero dramatizar.

Mas essas são atitudes consideradas são sim consideradas violência obstétrica tanto que o Ministério da Saúde está defendendo que as mulheres lutem pelo seu tipo de parto, ao criar um plano de parto, ter uma doula como apoiadora e etc.

 

Mãe do Cauê e da Catarina, esposa do Diogo Petermann. Casada há 11 anos. Apaixonada por brigadeiro de panela, pipoca e Grey's Anatomy!