Parto – Esperar a hora de nascer

A UNICEF lançou em abril deste ano a campanha Quem espera, espera, para alertar as mulheres sobre os benefícios do trabalho de parto espontâneo para a saúde da mãe e seu bebê.

Durante o trabalho de parto são liberados hormônios, e outras substâncias como corticoides que contribuem para o amadurecimento final do organismo da criança, agindo nos pulmões e trazendo benefícios para o funcionamento de todo o sistema.

Para a mulher a liberação dos hormônios no Trabalho de Parto contribui para prevenção de hemorragia pós-parto e prepara a mulher para amamentação. Mesmo quando há indicação de intervenção cirúrgica (cesariana) também é indicado esperar pelo trabalho de parto para que mãe e bebê também recebam esses benefícios.

Bebês nascidos antes do trabalho de parto espontâneo estão mais sujeitos a problemas de saúde. Estudos conduzidos nos últimos anos mostram que cada semana a mais de gestação aumenta as chances de o bebê nascer saudável, mesmo quando não há mais risco de prematuridade.  As últimas semanas de gestação permitem maior ganho de peso, maturidade cerebral e pulmonar.

Segundo a pesquisa Nascer no Brasil, em 2012, 35% dos bebês analisados nasceram entre a 37ª e a 38ª semana de gestação. Embora não sejam consideradas prematuras, estudos demonstram que essas crianças – aparentemente saudáveis – são mais frequentemente internadas em UTI neonatal. Elas tendem a apresentar problemas respiratórios, maior risco de mortalidade e déficit de crescimento.

Este  número de nascimentos entre a 37ª e a 38ª semana de gestação está associado ao elevado número de cesarianas realizadas antes do trabalho de parto espontâneo, particularmente no setor privado – onde metade dos partos realizados ocorrem nesse período.

As mamães ficam em dúvida de quando é a hora certa de procurar a maternidade. O tempo de trabalho de parto vai depender de vários fatores, como: se é o primeiro filho, ou se a gestante já teve outras gestações, se a bolsa d’água já rompeu (estourou) ou não.

Para as gestantes com mais de 37 semanas segue as orientações

uniced campanha quem espera, espera

Os sinais de início de Trabalho de Parto são definidos basicamente pelo número de contrações: quando as contrações começarem a gestante e seu companheiro pode marcar as contrações, e o intervalo entre as mesmas (tem aplicativo exclusivo para isso na internet).

As contrações no início podem ficar de 15 em 15 minutos, de 10 em 10 minutos, neste momento a gestante pode ficar em casa, tomar um banho quentinho de chuveiro de uns 30 minutos ou mais. Se as contrações pararem, muito provável que era um falso trabalho de parto, ou contrações de “treinamento”, que também são importantes neste período – que é um dos estágios do trabalho de parto.

Pode aproveitar para conferir o que levará para a maternidade, se hidratar e se alimentar; poderá caminhar, mas não se desgaste muito nesta fase reserve energia para a fase ativa do trabalho de parto.

Na Fase Ativa de Trabalho de Parto

hora de nascer

As contrações já estarão mais frequentes e ritmadas, de 3 em 3 minutos, ou de 5 em 5 minutos com duração de até um minuto. Nesta hora a gestante poderá procurar a maternidade, ligar para o médico se for para hospital privado, ou ligar para equipe que ira atendê-la se for um parto domiciliar planejado.

Se a bolsa estiver rompida, e o líquido amniótico for claro e transparente, e o bebê estiver se mexendo normalmente, a gestante não precisa ficar preocupada em correr para a maternidade, podendo se arrumar, tomar o banho quente, caminhar, se alimentar e hidratar, e procurar a maternidade dentro de 6 horas para acompanhamento, mesmo sem contrações.

O tempo total de trabalho de parto é diferente para cada mulher. Depende do ritmo das contrações, se a mulher se mantém ativa no trabalho de parto, caminhando, usando a bola, dançando, agachando, fazendo banho quente, etc. Podendo levar de 12 a 18 horas para gestantes de primeiro filho, ou de 08 a 12 horas para mulheres que já tiveram duas gestações ou mais.

O importante é a mulher se informar dos benefícios para ela e seu bebê, e de que tanto o trabalho de parto, como o Parto Normal vai propiciar momentos importantes pra ela e seu filho. Por exemplo as boas práticas de um parto humanizado: o contato pele a pele, o corte tardio do cordão umbilical que previne anemia no bebê nos primeiros meses de vida; amamentação na primeira hora de vida, fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe, bebê e família. E mesmo que a mulher necessite da cesariana e não for emergência, ela e seu bebê também receberá todos os benefícios do trabalho de parto.

As mamães e bebês merecem este cuidado.

Enfermeira Obstetra
Mestre em Saúde e Meio Ambiente
Membro da Equipe Bem querer – Parto Domiciliar Planejado.




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