Relato parto normal após cesáreas da Janaína Peixer

Meninas, hoje tenho o privilégio de compartilhar a história da big família da Janaína Peixer, do blog Diários de Maternidade. Ela e o Kauê tem quatro filhos. Ela lutou muito para que a Amora Catarina nascesse de parto normal humanizado. Para isso, ela se informou muito e procurou uma equipe que lhe auxiliasse a realizar o seu desejo. A Amora é fruto de parto normal após cesáreas, mostrando que é possível sim!

Mas vou parar de tagarelar e vou deixar vocês lerem e se emocionarem com esse belo relato.

Relato do parto normal após cesáreas da Janaína Peixer

Até 40 semanas não senti nenhum sinal sequer. Nada de contrações, perdas de água ou sangue, nadinha. Uns 5 dias antes do grande dia eu perdi o tampão mucoso –  que é uma geleca que cobre o colo do útero. Isso não significa nada, e ainda pode demorar até 15 dias para o parto engrenar. Mas sabia que o colo estava mudando. Por duas noites senti contrações fracas na madrugada, e pensei: vai que é agora???

Mas começava a clarear o dia e as contrações paravam totalmente.

O parto é totalmente mental. A mulher precisa se entregar, se conectar com seu íntimo pro negócio acontecer. E eu sou uma pessoa muito racional, ligada no 220. Sabia que as crianças tinham aula, atividades, tarefas, arrumar lancheiras, separar mala (caso fossem dormir na avó) e então o trabalho de parto não acontecia. Então, eu tomei uma decisão. Quando completaram-se 41 semanas eu decidi que este parto ia engrenar.

newborn Amora Catarina - Janaina Peixer

Já estava em pródromos havia alguns dias, nesse chove não molha e algo precisava ser feito. heehehe

Saí para caminhar na terça a tarde com as crianças no Parque da Malwee. Brincamos no parque, eu caminhei uns 6km mais ou menos 1 hora em ritmo acelerado. Fiz bastante chá de canela, gengibre, pimenta, e nada ainda. Dei uma estimulada no meu corpo somente porque sabia que a hora estava próxima. Não faria isso antes das 40 semanas, ok?

À noite senti dores na virilha pelo esforço todo e contrações na madrugada. Elas se esvaeceram novamente pela manhã. Como era véspera de feriado (quinta seria Corpus Christi) pensei: agora está tudo certo para Amora nascer. Amanhã as crianças não tem aula e as avós não trabalham. (Veja meu racional funcionando o tempo todo). Na quarta feira as crianças foram para a escola normalmente, e eu fiquei em casa preparando tudo.

Arrumei as malas deles para irem dormir na avó, saí para lavar o carro e fazer as unhas. Na minha cabeça algo ia acontecer. Deixei minha mãe de sobreaviso em caso de parto iminente. Mas nada….

O início do trabalho de parto

Amora catarina - nascimento

Pelas 18hs ela veio buscar as crianças e eu tive contrações fracas durante todo o dia. Quando ela saiu eu e meu marido fizemos uma pizza, jantamos normalmente, e eu com contrações um pouco mais fortes… que faziam o Kauê rir de mim, pelas minhas caretas.

Tomei um banho quente e demorado (pois o calor relaxa.. era aquela coisa, ou vai ou racha: engrena ou pára de vez!). Fiz até uma máscara nos cabelos… (pensei: quanto tempo depois do parto vou conseguir tomar um banho demorado de novo??)

Peguei meu tapetinho de yoga, fui para meu quarto e fiz algumas posturas que treinávamos nas aulas, além de balançar bastante os quadris. Fiz chá de novo. E o negócio começou a engrenar. Mandei o marido dormir, pois sabia que a noite (e o dia seguinte) poderiam ser muito longos e cansativos. Fiquei sozinha na minha sala, sentada na bola de pilates e no sofá… fiz meditação, ouvi música e fui me voltando “para dentro”.

O negócio começou a ficar cada vez mais intenso e eu monitorando as contrações que vinham a cada 4 minutos mais ou menos… (desde as 20h) Avisei a doula, avisei o médico (de Brusque, 2h:30 de Jaraguá onde moro). Fiquei calma e curtindo… sabia que poderia parar tudo de uma hora para outra. Se a adrenalina entra em jogo estraga tudo… sair de casa nesta hora pode estragar o trabalho de parto.

Chamei a doula e era quase 23h ela estava aqui. N!ão queria chamar muito antes e cortar meu clima. Quando ela chegou eu já estava com bastantes dores, não conseguia mais dar dez passos sem me agachar. Fui para o chuveiro ver se aliviava, mas o bicho pegou. O calor fez dilatar mais. Perdi mais tampão.

Falei pra Elaine: chama o Kauê ( que estava dormindo) para irmos para o hospital, pois logo não consigo mais nem caminhar. A doula não faz toque, ela apenas dá conforto emocional para a mulher. Eu não queria ir muito cedo para o hospital pois poderia ser um alarme falso, e, pela minha experiência anterior sabia que a gestação poderia ir até 42 semanas tranquilamente.

Bem, saindo do chuveiro eu mal conseguia caminhar dois passos sem parar para me agachar, respirar e vinha uma contração atrás da outra. Porém, não havia um padrão. Não tinha ritmo certo. Vinha de 2 em 2 min, depois passava 4 ou 5 minutos até a próxima. Isso não era um “bom” sinal. Em regra as contrações precisam ter ritmo por pelo menos 1 hora para estar em trabalho de parto ativo. Mas nada em parto é certo e previsível, não tem receita de bolo.

A ida para o hospital

equipe de assistência ao parto humanizado da janaína peixer
Médico Obstetra: Paulo Ricardo Soares dos Santos :: Doula – Elaine Odwazny

Lá fomos nós para Brusque. O caminho cheio de buracos e curvas. Doía demais a cada buraco. Parecia que meu marido estava passando de propósito. E a cada freiada lá vinha uma contração, cada vez mais intensa. Eu não queria gritar ou estressar o marido. Apenas respirava fundo e me entregava para a dor, sabia que o colo estava trabalhando e não adiantava fazer força contra. Quase chegando em Brusque eu pedi para parar para vomitar… muito enjoo com tanta curva. O combustível também estava acabando… ai Jesus!!! Me abana!!! Meu marido parou para abastecer e eu só gritava: não completa!!!

Fomos para a clínica do Paulo, meu médico para “avaliar”. Ver se era para ir para o hospital ou não. Caso fosse alarme falso iríamos ficar no hotel. Porém, quando chegamos na clínica eu não conseguia descer do carro. Parecia que minhas pernas tinham travado. Ele estava ali nos esperando e viu a cena. Só disse: vamos para a maternidade. Era 3h30min da manhã.

Quando chegamos lá, eu não conseguia nem andar direito (isso porque a bebe já estava na pelve). O querido doutor Paulo pegou uma cadeira de rodas e foi “pilotando” hospital adentro… parecia cena de filme. Chegou no quarto (um quarto normal e não centro cirúrgico) eu já fui arrancando a roupa de calor… me levaram para o chuveiro e eu estava recostada em uma bola.

O nascimento da Amora Catarina

A Elaine trouxe a cadeira de parto eu sentei. Fiquei ali com meu marido e o médico foi buscar alguns campos e outras coisas no quarto quando eu já gritei: “ela está aqui! Ela está chegando! Vai nascer!!! “Senti um peso descer pelo canal de parto. Coloquei a mão, senti a cabeça.
Eu, racional que sou, gritei: Elaine traz o celular do Kauê! Pois queria registrar o momento.

O Dr. Paulo chegou, pediu para eu não fazer força, respirar e aproveitar o momento. A Amora girou, fez força e nasceu sozinha as 4h17min do dia 15/06/2017, sem episiotomia, sem nenhuma intervenção (sequer exame de toque), nem banho, nem colírio de nitrato de prata, nem nada!!!

Foi o parto dos SONHOS! posso garantir! Fui caminhando até a cama com ela “ligada”pelo cordão, onde o pai o cortou após uns 40 minutos. O Kauê limpou e trocou a Amora com ajuda da pediatra e doula. Ela ficou o tempo todo comigo, contato pele a pele mamando e nos reconhecendo… Amor e respeito definem!

Mãe do Cauê e da Catarina, esposa do Diogo Petermann. Casada há 11 anos. Apaixonada por brigadeiro de panela, pipoca e Grey’s Anatomy!
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