A crítica na maternidade é um mal moderno

Em uma pesquisa feita nos Estados Unidos, apontou que cerca de 61% das mães sofreram alguma espécie de crítica na maternidade. As entrevistadas, tinham pelo menos um filho com menos de 5 anos e as áreas mais criticadas foram: amamentação versus mamadeira, sono, educação dos filhos e alimentação.

As principais fontes das críticas são os próprios familiares. Segundo o estudo, 37% são seus próprios pais, 36% são os seus companheiros, 31% os sogros. A pesquisa ainda aponta que cerca de 14% das mulheres recebera críticas de amigos, 14% relata que recebeu crítica (pasmem) de pessoas na rua e outros 7% nas redes sociais.

A crítica na maternidade é um mal moderno

Outro dia estava em um chá de fraldas, e de relance ouvi uma mãe de um bebezinho explicando porque não dava açúcar para o seu filho, que devia ter uns 7 meses de vida. Ela argumentava sobre a teoria dos mil dias, que a criança não precisa experimentar o doce ainda e que a avó, mesmo sabendo da sua vontade, oferecia bolacha Maria.

Esse simples e resumido relato demonstra a dificuldade de criar filhos nos dias modernos. São várias gerações vivendo a mesma época e com opiniões e formações muito diferentes.

As diferenças entre as gerações

As minhas avós viviam no sítio e muito provavelmente conviviam com as vizinhas e amigas. Esperavam e contavam com o seu apoio quando nascesse uma criança em sua casa. O resguardo era um momento valioso no qual a mãe precisava se dedicar exclusivamente para o bebê. Com a sua rede de apoio, ela não precisaria se incomodar com outros aspectos da sua vida como lavar, passar, cozinhar e muito menos trabalhar.

A minha mãe já pertence a uma geração que começou a trabalhar fora para ajudar no sustento da casa, cursou ensino superior. Essa geração ainda valoriza os ensinamentos dos antigos como absolutas verdades e procura transmitir esses aprendizados para a geração futura.

As mulheres da geração Y ou millennials, são independentes e autoconfiantes. Infelizmente isso faz com que elas queiram ignorar boa parte dos conselhos dos antigos. Afinal de contas, elas nasceram na era da informática e a internet está aí para tirar toda e qualquer dúvida.

Conflito entre as gerações

Essa diferença entre uma geração para outra, até chegar na geração Y fez com que fossem abrindo lacunas. Quando a “intromissão” dos antigos era apenas no casamento, mesmo que o casal acabasse brigando, eles acabavam fazendo as pazes. Porém, os desentendimentos se tornam mais coloridos quando há uma criança envolvida.

Isso porque a recém-mãe pretende criar o seu filho da sua maneira e não quer opinião. Por outro lado, existe mulheres muito experientes que querem transmitir seus ensinamentos e até mesmo auxiliar as novas. Isso acaba gerando um estresse tremendo em uma família. Opinião do lado dos pais, opinião do lado dos sogros e quando o casal percebe estão brigando tentando defender o “seu” lado da família e esquecem da sua nova família.  A crítica na maternidade tem sido até motivos de separações entre casais – mais isso é assunto para outro dia.

Enquanto as novas gerações vão para a internet pesquisar e estudar os motivos da doença, como prevenir, como tratar e até mesmo o efeito do remédio que o médico indicou. A outras gerações vão compartilhar as dificuldades e entre si vão achar um chá que vai ajudar naquele problema. Ou então, a qualquer choro do bebê querem dar uma mamadeira porque o bebê deve estar com fome e vão dizer que o leite deve ser fraco e não sustenta o bebê. Fazendo com que a mãe se sinta impotente e incompetente, pois não consegue gerar nem o sustento do próprio filho.

A educação dos filhos também é alvo de crítica na maternidade. Uma das tarefas mais difíceis é educar os filhos. Esperamos deles bons comportamentos, bons modos, que ele cumprimente a todas pessoas que cumprimentamos, que coma de boca fechada e não solte pum na frente das visitas. Vulgo: o Filho Perfeito. Ele nunca existiu e ele não vai nascer no seu lar.

Aquela frase famosa que avós deseducam as crianças não deveria ser propagada dessa forma. Os avós não querem que seus netos sejam mal-educados e eles irão repreender quando for necessário. A verdade é que eles não têm mais a nossa preocupação de educar as crianças. Mas ao mesmo tempo, os avós precisam colaborar com algumas regrinhas impostas pelos pais. Como no caso da mãe do bebê de 7 meses, se os avós sabem que não é para dar aquela bolacha, perguntem o que eles podem oferecer.

Isso eu sempre achei legal na minha mãe. Ela poderia não concordar com o que eu não queria oferecer de alimentos para o Cauê e para a Catarina. Mas ela sempre seguiu as indicações. Acredito que isso demonstra que ela acredita em mim e nas coisas que “andei lendo”, que estou procurando fazer o que é melhor para os meus filhos.

Resolvendo as diferenças entre as gerações

Não estou dizendo que esse processo de aceitação será fácil. Tudo depende da maneira que você irá comunicar essas decisões e a maneira que eles vão receber. Às vezes enviar um documentário sobre determinado assunto. Compartilhar um post, como esse, que explica sobre as diferenças entre as gerações e aceitações que serão necessárias.

Ao mesmo tempo, aproveitar a internet para pesquisar sobre aquele conselho dos antigos. Muitas vezes pode ter fundamento científico para isso e você nem sabia.

A comunicação é a chave para quase tudo. O diálogo é a melhor maneira de iniciar um trabalho de conciliação. A criança não merece viver em um lar com discórdias. Falar e saber ouvir, com o intuito de compreender. Percebo que muitas vezes as mães não querem nenhum tipo de ajuda dos mais velhos, querem usar da sua autonomia quando mais precisam de ajuda. Pura besteira. A maternidade é o melhor momento para pedir ajuda, pois ela é mais que necessária.

Você não será uma pior mãe se não der conta da casa, da louça, da roupa porque está se dedicando ao bebê. Nessas horas, as gerações anteriores compreendem muito bem e sabem dar o apoio necessário. Se caso você não sabe explicar porque não se deve mais usar uma faixa ao redor do umbigo do bebê, experimenta levar a avó do bebê na próxima consulta com o pediatra e pede para ele explicar para ela. Evite brigas e discussões, elas são apenas um desgaste emocional e relacional.

A alegria do compartilhar

Como eu falei antes, a crítica na maternidade é um mal moderno. Ela veio apenas para sobrecarregar uma mulher multitarefa. Eu como mãe de dois, sei como é difícil dar pitaco com o filho do outro. Eu me seguro muitas vezes e outras vezes tenho uma amiga anjinho que me lembra que o filho do outro não é meu! Ainda bem que existe ela na minha vida! 😀

Mas muitas outras vezes, as mulheres querem saber a minha opinião sobre determinado assunto. Se elas seguem ou não meus conselhos, isso é com elas. Eu me sinto feliz em poder compartilhar coisas que aprendi e acredito que é mais ou menos assim que as gerações anteriores a minha se sintam também.

Eu amo essa ideia do compartilhar na maternidade. A maternidade por si só já tem uma responsabilidade enorme. A sociedade espera que nós desempenhemos o melhor papel como super mulheres. Enquant

o somos seres que apenas desejam uma noite de sono completo, pelo fim do dor na amamentação, que desejam que o filho coma bem legumes e verduras e se comporte bem em público.

Eu defendo a ideia que quando compartilhamos o fardo da maternidade, se torna mais leve e muito mais fácil de carregar. Vemos que como nós, há muitas outras mulheres que passam ou passaram pelas mesmas situações que nós. Eu sou a favor do fim da crítica na maternidade.

E vocês, o que pensam a respeito? Vocês chegaram a sofrer com críticas na maternidade? Como superaram isso? Compartilhe conosco…

Mãe do Cauê e da Catarina, esposa do Diogo Petermann. Casada há 11 anos. Apaixonada por brigadeiro de panela, pipoca e Grey’s Anatomy!