Dificuldades de aprendizagem escolar

Acompanhar o desempenho escolar das crianças faz parte da rotina de qualquer pai ou mãe. Estimular o interesse, iniciativa, criatividade, dedicação, esforço e empenho são essenciais para o sucesso escolar de qualquer criança. Mas, e quando você percebe que a criança não está conseguindo, que por mais que esteja dando o melhor de si, ainda assim está tendo dificuldades de acompanhar a escola e os demais colegas de turma, demonstrando assim certo sofrimento visível!

Saiba que essa dificuldade pode não ser só preguiça ou falta de interesse, a criança pode realmente estar com alguma dificuldade na aprendizagem, que são os chamados de Transtornos Específicos de Aprendizagem.

Aqui vamos falar sobre algumas das dificuldades de aprendizagem para que se possa entender melhor o que é. Sobre alguns sinais que servem como alerta para quem tem filhos e como lidar melhor com a situação.

Mas então, o que é o transtorno específico da aprendizagem afinal!

É um transtorno do neurodesenvolvimento, ou seja, as dificuldades de aprendizagem são problemas neurológicos que afetam a capacidade do cérebro para entender, recordar ou comunicar informações, gerando assim limitações para aprendizagem da leitura, escrita, cálculo e aptidões sociais.

As dificuldades de aprendizagem não podem ser explicadas por deficiências intelectuais, outros transtornos mentais ou neurológicos, acuidade visual ou auditiva não corrigida, adversidade psicossocial, falta de ensino ou motivação das pessoas envolvidas no ensino da criança, como os pais e a escola, por exemplo.

É importante salientar que essas dificuldades começam a aparecer no período escolar, então são dificuldades especificas da vida escolar/acadêmica, ou seja, a criança, o adolescente ou o adulto que possui esse transtorno, levará uma vida normal, acarretando problemas somente no âmbito escolar. Porém, pode ter conseqüências funcionais negativas ao longo da vida.

Se não identificada e com o encaminhamento necessário, pode desencadear conseqüências como: baixo desempenho acadêmico, taxas altas de desistência da escola, menores taxas de educação superior, níveis altos de sofrimento psicológico e pior saúde mental, podendo até desencadear depressão, taxas mais elevadas de desemprego e subemprego. Sem contar no sentimento de frustração e baixa autoestima, que sabemos do quanto é importante para nossa qualidade de vida.

Elas podem ser divididas em alguns tipos ou vir associadas a outros transtornos como Transtorno de déficit da atenção e hiperatividade (TDAH) ou o Transtorno do Espectro Autista, por exemplo.

Conheça um pouco mais sobre os tipos de dificuldade de aprendizagem escolar. Lembrando que no inicio, quando a criança está em processo de alfabetização, é normal apresentar dificuldades, porém o tempo em que isso permanece sem progresso é o que deve ser considerado. Por isso em caso de dúvidas é importante procurar por um psicólogo para que se faça uma avaliação psicológica. Através da observação e acompanhamento escolar também é possível chegar a alguma conclusão.

Tipos de dificuldades de aprendizagem escolar:

  • Dislexia: é a dificuldade que aparece na leitura, impedindo o aluno de ser fluente, pois faz trocas ou omissões de letras, inverte silabas, apresenta leitura lenta, dá pulos de linhas ao ler um texto.
  • Disgrafia: normalmente vem associada a dislexia, porque se o aluno faz trocas e inversão de letras, conseqüentemente encontra dificuldade na escrita. Alem disso, está associada a letras mal traçadas e ilegíveis, letras muito próximas e desorganização ao produzir um texto.
  • Discalculia: é a dificuldade para cálculos e números, de um modo geral, os portadores não identificam os sinais das quatro operações principais e não sabem usá-los, não entendem enunciados de problemas, não conseguem quantificar ou fazer comparações, não entendem seqüências lógicas. Esse problema é um dos mais sérios, porém ainda pouco conhecido.
  • Dislalia: é a dificuldade na emissão da fala, apresenta pronuncia inadequada das palavras, com trocas de fonemas e sons errados, tornando-as confusas. Manifesta-se mais em pessoas com problemas no palato, flacidez na língua ou lábio leporino.
  • Disortografia: é a dificuldade na linguagem escrita e também pode aparecer como conseqüência da dislexia. Suas principais características são: troca de grafemas, desmotivação para escrever, aglutinação ou separação indevida das palavras, falta de percepção e compreensão dos sinais de pontuação e acentuação.

E qual é a causa!

Existem fatores biológicos que contribuem para o aparecimento dessas dificuldades de aprendizagem escolar: lesão cerebral, erros no desenvolvimento cerebral, desequilíbrios neuroquímicos e a hereditariedade. Mas o ambiente em que essa criança está inserida e a forma de como isso são tratados é que vai definir a gravidade ou não desse problema.

Afinal, há cura!

dificuldade de aprendizagem escolar

O transtorno especifico da aprendizagem escolar não tem cura, embora há muitos estudiosos e pesquisadores em cima disso. Mas com o diagnóstico pronto já é um alivio, pois pelo menos se sabe do que se trata. Para então haver um consenso entre a família, escola e o profissional para elaboração de outras estratégias de aprendizagem.

Uma vez que ele não aprende do jeito comum, é necessário empenho e dedicação, sem restrições a formas de ensinar para uma inclusão escolar efetiva desse aluno. É essencial que os pais desse aluno acompanhem periodicamente a jornada escolar desse aluno, mantendo um bom relacionamento e parceria com a escola, principalmente os professores.

Sinais de dificuldades de aprendizagem escolar

dislexia e aprendizagem escolar

Fique de olho em alguns sinais, se a criança apresentar esses comportamentos é porque algo está errado e ela precisa de ajuda:

  • Fraco alcance da atenção: a criança distrai-se com facilidade, perde rapidamente o interesse por novas atividades, pode saltar de uma atividade para a outra e freqüentemente deixa projetos ou trabalhos inacabados.
  • Dificuldades para seguir instruções: a criança pode pedir ajuda repetidamente, mesmo durante tarefas simples (“onde é que eu devia colocar isso!” “Como é mesmo que se faz isto!”). Os enganos são cometidos, porque as instruções não são completamente entendidas.
  • Imaturidade social: a criança age como se fosse mais jovem que a sua idade cronológica e pode preferir brincar com crianças menores.
  • Dificuldades com a conversação: tem dificuldade em encontrar as palavras certas ou perambula sem cessar tentando encontrá-las.
  • Inflexibilidade: a criança teima em continuar fazendo as coisas a sua própria maneira, mesmo quando esta não funciona, ela resiste a sugestões e a ofertas de ajuda.
  • Fraco planejamento e habilidades organizacionais: não parece ter qualquer sensação de tempo e com freqüência chega atrasada ou despreparada. Se várias tarefas são dadas (ou uma tarefa mais complexa com varias partes), ela não tem qualquer idéia por onde começar, ou de como dividir o trabalho em segmentos manejáveis.
  • Distração: freqüentemente perde a lição, roupas e outros objetos, esquece de fazer as tarefas e trabalhos e/ou tem dificuldades em lembrar de compromissos ou ocasiões sociais.
  • Falta de destreza: parece desajeitada e sem coordenação, em geral, deixa cair coisas ou as derrama, ou apalpa e derruba os objetos, pode ter uma caligrafia péssima, é vista como pouco habilidosa em jogos e esportes.
  • Falta de controle dos impulsos: a criança toca tudo (ou todos) que prende seu interesse, verbaliza suas observações sem pensar, interrompe ou muda abruptamente de assunto em conversas e /ou tem dificuldade para esperar ou revezar-se com outras.

Se o seu filho (a) apresenta alguns sinais acima de forma intensa e freqüente e não tem bom rendimento escolar, ele pode estar com alguma dificuldade de aprendizagem. Mas não há motivo para pânico. Procure a ajuda de um profissional e propicie um ambiente novo de aprendizagem escolar, reforçando e valorizando os pontos fortes e positivos, impondo regras e limites e mantenha contato freqüente com a escola.

Psicóloga formada pela Uniasselvi/Fameg - Guaramirim e com pós graduação em Avaliação Psicológica pela Faculdade Guilherme Guimbala (FGG) - Joinville. CRP 12/11041 Possui experiencia na área de psicologia organizacional, e atendimento psicológico/psicoterápico com crianças, adolescentes e adultos. Atualmente trabalha com atendimento clinico para todas as idades, avaliação psicológica em diversos contextos e orientação profissional e de carreira.