Resiliência na infância

Em um mundo caótico e que muitas vezes nos traz medos e inseguranças é um desafio criar os filhos. De vez em quando ouço alguém falando que não colocaria um filho no mundo atual, mas sempre penso que na verdade o mundo somos nós que fazemos. Está complicado sem dúvida! Porém também estava complicado na época da minha mãe: economia fluente, divórcio, cidade grande e tantas circunstâncias que ela viveu e conseguiu criar, educar e instruir duas filhas.

Da mesma forma, nós pais somos responsáveis na formação dos nossos filhos. A medida que eles crescem começam a demonstrar alguns pontos que precisamos atentar e trabalhar desde cedo, como: o conformismo, o medo de correr riscos e o coitadismo. São três armadilhas dos nossos pensamentos que bloqueiam a nossa capacidade de reação.

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  1. Conformismo é a arte de se acomodar e não reagir, ou seja, aceitando tudo de forma pacífica. Se tornando um espectador da sua própria história. Essa armadilha faz com que a pessoa não aceite as responsabilidades, acredita que tudo é obra do destino.

Augusto Cury, em seu livro O Código da Inteligência e a excelência emocional, diz que: “Ninguém pode asfixiar, anular e amordaçar mais um ser humano que ele mesmo” (p.51). As desculpas, os rótulos são escapes que as pessoas utilizam para viverem como vítimas.

  1. Coitadismo são pessoas que fazem seu próprio marketing negativo “Sou azarado!”, “Ninguém gosta de mim!”, “Faço tudo errado!”. É uma pessoa cheia de potencial de desenvolver tantas coisas, mas faz questão de frisar seu sentimento de incapacidade, jogando todo seu talento no lixo.
  2. Medo de correr riscos: nada mais é que o medo de se assumir como ser humano. Todo ser humano é falho, imperfeito, muitas vezes incoerente e estupido até! Na superficialidade da sociedade moderna, fica fácil se esconder atrás do digital, escondendo sua humanidade, apenas mostrando a casca da perfeição através dos “selfies”.

Cury destaca que “reconhecer nossas debilidades, entrar em contato de maneira nua e crua com nossa realidade, não é apenas um passo fundamental para oxigenar a inteligência, reeditar nossa memória e superar nossos conflitos, mas também para mergulharmos nas águas de descanso para bebermos das fontes mais excelentes da tranquilidade (p. 64).

Mediante a essa realidade que nos cerca como pais e filhos, existem algumas características que podemos trabalhar em nós mesmo para sairmos do conformismo e do coitadismo e encararmos nossos medos. Às vezes você pode dizer que acredita que seu filho não tenha medos ainda. Realmente, dependendo da idade que seu filho está talvez ele não tenha desenvolvido, mas é importante saber trabalhar desde cedo a psique dele para ser mais forte frente às adversidades e não deixar cair em nenhuma dessas três armadilhas, ou se cair, ensinar os mecanismos pelos quais poderá sair delas.

 

Resiliência e sua importância

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Segundo o Aurélio é a capacidade de superar, de recuperar de adversidades. Quantas vezes temos que sentar com nossos filhos e ensiná-los a administrar os “problemas” da escola? Ao ensinarmos eles administrarem os pequenos conflitos das brigas no parquinho, contornar uma situação que o amiguinho só persegue no futebol ou ainda quando é preciso encarar uma mudança de escola ou cidade, nesses e em tantos outros momentos estamos ensinando eles a serem mais fortes, mais resilientes. Ensinado a capacidade de se adaptar, superar e de se recuperar de alguma adversidade, conflito, obstáculos que tiverem que enfrentar em sua vida adulta.

“…Nenhum ser humano ou nenhuma empresa é digna do sucesso se não usar seus fracassos e vexames para conquistá-lo. Quanto maior o tombo que sofreram, mais garra tiveram para superar. Aprenderam a não destruir e nem se autodestruir quando feridos. Fizeram intuitivamente a técnica do ‘Stop introspectivo’, aprenderam a pensar antes de reagir” (p.131).

Pessoas resilientes são mais seguras, estruturadas e que não se submetem às derrotas. Utilizam das dificuldades, erros, obstáculos, fracassos como oportunidades para aprendizado criando novas oportunidades. Dessa forma, se tornam pessoas mais tranquilas, tolerantes e com compaixão.

Nossos filhos não irão se tornar essas pessoas da noite para o dia, assim como você e eu não também não iremos. O importante é ter consciência de que a vida é cíclica e que todos temos nossos altos e baixos. Mediante a uma queda ou erro, refletir que aquilo pode se tornar um aprendizado ou então nos destruir como seres humanos. E por isso, constantemente temos que nos lembrar de enfrentar os obstáculos e as crises com flexibilidade e reflexão.

Construindo um caminho juntos

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Ensinar eles a serem resilientes pode ser um verdadeiro desafio, mas não é isso que a maternidade é? Somos desafiados constantemente por eles. Muitas vezes utilizo a técnica de perguntas. Por exemplo: se quero saber como é o comportamento dos amigos na sala de aula. Começo perguntando ao lado de quem ele senta, se tem tarefa, se teve ajudante do dia, se algum amiguinho brigou, se a professora colocou alguém no castigo, e por aí vai.

Perguntar é uma das melhores maneiras de explorar e conhecer mais deles. Através das perguntas vamos detectar algumas dificuldades que eles enfrentam. O Cauê já sabe ler e escrever, nesse segundo semestre a professora incluiu o aprendizado da letra no formato de caixa baixa e continhas de adição e subtração.

Ele tem se distraído bastante e por isso muitas vezes demora mais que os outros amigos para copiar a tarefa do quadro. Claro que a professora olha com aquela cara para mim e para ele. Pressionar não vai resolver nesse caso, mas ele tem que aprender a ser resiliente e se adaptar as mudanças que está enfrentando.

Essa tarefa de ensinar a ser resiliente e persistente cabe a mim. Ele muitas vezes quer entrar no coitadismo dizendo que não consegue. Conseguir para sempre, parece uma coisa impossível aos olhos dele. Combinamos que VAMOS tentar um dia de cada vez.

Agora quando pego ele na escola, já vem me contando quase todas as coisas que aconteceram, quem ficou de castigo ou desobedeceu a professora e que ele conseguiu terminar a tarefa junto com todos e não ficou para trás. ESTAMOS no terceiro dia! Ele está feliz por dar pequenos passos e se sente orgulho de cada conquista.

Coloquei VAMOS e ESTAMOS em letra maiúscula para destacar mesmo. Acredito que é importante para ele, nessa fase de aprendizado, que sinta a segurança da mãe e do pai. Estamos conscientes das dificuldades e vamos superar juntos. Ele ainda é pequeno para superar sozinho, dessa forma vamos instruindo a superar um obstáculo de cada vez. Que não há motivos para ansiedade se ele se concentra apenas no hoje.

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“Perdas e frustrações fazem parte da pauta de ricos e miseráveis, intelectuais e iletrados, o que nos diferencia é a forma como lidamos com elas”. Augusto Cury em Sabedoria nossa de cada dia.

Como seres humanos, somos passíveis de erros, inclusive na educação dos nossos filhos. Acredito que é importante para eles nos sentir por perto, sentirem nosso apoio e incentivo. Perceberem que mesmo na correria de nossas vidas, nos importamos verdadeiramente com o que se passa na vida deles. Mais profundo ainda, é quando compartilhamos da nossa história e sincronizamos com a história deles.

 

Ser mãe é um desafio muito grande e é preciso muitos momentos de reflexão não é mesmo? Mas me contem, vocês já tiveram episódios que perceberam que agiram de forma resiliente? Conseguem ensinar essa virtude para seus filhos com facilidade ou é muito complicado?

 

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Mãe do Cauê e da Catarina 🙂




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