Meu filho tem medo de dentista

Vamos falar sobre um dos medos que mais invade a cabecinha de algumas crianças: medo de dentista ou do tratamento dentário! Sim, porque nem todas as crianças encaram bem esse primeiro contato e algumas até sentem verdadeiro pavor e são chamadas de “não colaboradoras”.

Medo de dentista

Às vezes nos perguntamos o que leva uma criança a ter um comportamento tão difícil em consultório. Em primeiro lugar temos que separar as faixas etárias.

Até três anos de idade o choro natural de um bebê não deve ser encarado como medo, pois a criança ainda não absorveu racionalmente esse tipo de informação. Logo é algo normal e totalmente esperado. Assim sendo, as técnicas utilizadas são bem diferenciadas para crianças acima de quatro anos. Toda informação direta ou indireta que os adultos passam são assimiladas no “reino da fantasia “ mental da criança.

Ansiedade dos pais para que seus filhos se comportem bem no dentista

Vale também ressaltar que alguns pais exageram um pouco na ânsia de querer “preparar “ seu filho para esse momento fazendo promessas desnecessárias. Por exemplo: prometer presentes, prometer que não vai deixá-la sozinha em nenhum momento ou ficar explicando repetidamente de forma excessiva. Ao invés de trazer segurança, isso tudo traz desconfiança: “meus pais estão querendo me proteger de algo ruim, portanto eu devo ter medo”!

Experiências negativas relatadas pelos adultos na presença de crianças, bem como ameaças como dizer que a criança “vai tomar “pic” (injeção) no dentista se não se comportar” é dispensável. Essas frases não ajudam de forma alguma a preparar a criança emocionalmente para a sua primeira consulta.

Medo de Dentista

É claro que cada criança tem a sua individualidade e isso deve ser levado em conta. Mas muito do que chamamos de “personalidade” muitas vezes nada mais é do que rótulos que vamos colocando nas crianças ao longo das suas vidas: ”essa é geniosa”. “Essa é bravinha”. “Essa só faz o que quer”. “Essa é nervosa”. “Essa não fica quieta nunca” e assim vai. Elas passam a acreditar que realmente são esses “ rótulos”. Alguns pais apresentam comportamento superprotetor, o que acaba interferindo negativamente na relação de confiança entre a criança e o profissional, gerando ansiedade na criança.

As crianças são sensitivas e percebem tudo no ar

Mais uma vez: “Do que meus pais estão querendo me proteger?”.

As crianças perdem a autoconfiança necessária para acreditar que são capazes!

Os pais sentem medo, ansiedade e muitas vezes revivem mentalmente as suas próprias experiências negativas e acabam transmitindo emocionalmente para a criança durante o tratamento.

No próximo tópico falaremos sobre as técnicas que podemos utilizar para lidar com essas situações.

Aguardem o próximo artigo.

 

Odontologia – Universidade de Marília/SP (1993)
Odontopediatria – SPEO – Curitiba/PR (1998)




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