Birras

Como vocês já sabem, pelo menos quem me acompanha, estou lendo o livro: Quem ama, Educa! Formando cidadãos éticos do autor Içami Tiba, recomendo muito esse livro, é o tipo de livro pra ler devagar e aprender as coisas que estão ali e podem agregar. Não acredito que esse lviro seja salvação ou a luz no fim do túnel, mas acho que conhecimento nunca é demais e se podemos agregar, por que não? Quero compartilhar com vocês um trecho apenas do capítulo: Situações Críticas que surgem no nosso dia-a-dia como mães e pais:

BIRRA AFETIVA

A mãe se recusa a atender uma vontade do filho e ele se debate, grita, faz escândalo. É a birra! Surge com nítido objetivo de contrariar uma ordem, não importa se justa ou injusta, com a finalidade de tirar vantagens pessoais: uma manifestação de auto-afirmação inadequada.

(…) existe ainda a birra afetiva – que é quando uma pessoa se recusa a agradar a outra, mesmo que a ame. Faz parte do desenvolvimento da criança. Seus sinais são muito claros para quem recebe, mesmo que outras pessoas nem possam percebê-las. É a opção de não-entrega para carinho, o colo, o abraço – geralmente, com o rompimento da comunicação verbal e visual.

As pessoas se constrangem com isso por desconhecer o funcionamento fisiológico da criança que faz essa birra. Não importa quem quer que ame o bebê com paixão (avós, padrinhos, amigos íntimos, parentes): Se ele estranhar essa pessoa em dado momento é porque ainda não a identificou, e sua reação de estranhamento é natural. O adulto tem na memória o bebê, mas este ainda não conta com a maturidade. Basta, por exemplo, o pai se ausentar por alguns dias para que o bebê possa estranhá-lo. Isso não significa que não ame o pai, é apenas um determinado momento do desenvolvimento, quando o bebê não revela ainda sua capacidade de memorização.

Com a convivência, após horas ou dias, a pessoa vai se tornando mais e mais conhecida do bebê, e este sinaliza a que distância ela deve permanecer. A princípio, o bebê apenas olha a pessoa, depois começa a sorrir quando ela lhe faz uma graça. O riso significa aprovação. Muitos bebês aceitam brincar, mas isso não significa que aceitem ir para o colo da pessoa.

Os adultos não devem atropelar esse desenvolvimento muito saudável que se faz sem choro nem desespero de ninguém, e sim através da aproximação lenta e gradativa desse serzinho que está no mundo a tão pouco tempo.

  • Segurança e firmeza dos pais geram confiança no filho para ele ficar na escola.

À porta da escolinha, nos primeiros dias, o filhinho pode apresentar dificuldades e birra afetiva. É fundamental que ele sinta que os pais confiam na escola e o estão deixando com pessoas capazes de cuidar bem dele. Portanto, é muitíssimo importante que os pais conheçam bem o local e os profissionais com quem vão deixar o filho. É necessário que ele sinta na pele que os pais confiam na escola.

Se para os adultos a separação é difícil, para o filhinho é ainda pior, porque ele ainda não desenvolveu a noção do tempo – para entender que aquele distanciamento é transitório. Não tem como se defender e precisa dos cuidados de pessoas que desconhece.

A ansiedade da separação ataca a criança que, então, não quer mais ficar com outras pessoas que já conhece e com quem já ficou. Ela pode manifestar essa ansiedade através das birras ou comportamentos que dificultam ou impossibilitam a saída dos pais para o trabalho, por exemplo. Por mais que a ansiedade exista, ela deve ser superada para que a criança progrida em seu desenvolvimento afetivo.

Em muitos casos, a criança é tida apenas como manhosa, mas já se trata de uma birrenta, que vai derramando copiosas lágrimas para subverter a ordem estabelecida. Lágrimas enternecem qualquer mãe ou pai e despertam um sentimento de culpa que pode comprometer a razão e romper o limite que deve ser imposto na medida certa.

Os pais podem olhar no fundo dos olhos do filhinho e explicar calma e firmemente que, se pudessem, até ficariam, mas eles têm de trabalhar. Ao contrário, a hesitação dos pais gera insegurança no filho e pode despertar nele a sensação de que vai conseguir convencê-los a ficar.

  • Os pais não devem prometer trazer brinquedos, doces ou figurinhas quando voltarem.

É saudável a criança sentir que a separação não mata ninguém e começar a criar dentro de si mesma a noção de responsabilidade e independência afetiva – por menor que seja, no caso de uma criança pequena.

Podemos dividir esse texto em duas partes: a primeira direcionada ao estranhamento e a segunda a separação criança-pai/mãe.  Interessante como as pessoas teimam em pegar as crianças no colo, e tem muitas ainda que nem sequer respeitam o choro da criança. Acontecia muito disso com meu filho e por mais p* que eu ficasse, as pessoas estavam nem aí pra mim ou pro meu filho. Total falta de respeito, não esperavam o tempo de reconhecimento necessário, desculpa a conotação, mas parecia que meu filho não estaria mais ali no dia seguinte.

Já a separação, acho que todas nós vamos passar por isso, mais cedo ou mais tarde, ela é inevitável. Acho interessante a maneira que ele aborda e sinceramente, não deixo de concordar, creio que mesmo as menores sentem a nossa (in)segurança no ar, de alguma forma conseguimos transmitir isso e elas podem ou não ficar assustadas ou com medo, só depende de nós. Quanta responsabilidade com nossos esponjinhas!

E vocês meninas, que acham das teorias do Içami Tiba? Tem algo de real, de concreto no dia-a-dia dos seus pitchucos?

Beijos

Mãe do Cauê e da Catarina, esposa do Diogo Petermann. Casada há 11 anos. Apaixonada por brigadeiro de panela, pipoca e Grey’s Anatomy!
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